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A vida é demasiado curta para cafés queimados

- tout court.

A vida é demasiado curta para cafés queimados

- tout court.

Aventura

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Sexta feira foi dia de ir ao  supermercado. Como precisava de frescos, fui ao Mercadona - adora a fruta deles - por isso meti-me no carro e rumei a Fernão Ferro. Chovia que deus a dava, e embarquei numa fila quase parada. Voltar para trás (enquanto pude)? jamais, eu até gosto de conduzir à chuva.

Fui a ouvir a minha musica,  e a avançar devagarinho. passo uma rotunda e oye!!!! era uma piscina. Voltar para trás não era hipótese, o caminho tinha de ser em frente. Aguenta coração, segura-te Biatura! 

A água praticamente batia nos puxadores das portas. Os condutores que vinham em sentido contrário tinham um ar táo assustado como eu devia ter. A três quartos sinto que o carro está a pensar bloquear... vá lá carrinho, vamos embora! Mais um nadinha e saí e fiquei a seco. Continuei, olhei pelo retrovisor e como não vinha ninguém,  experimentei os travões. Abrandar? nope. Travão a fundo e o ABS respondeu e parou a Biatura. Até chegar ao destino sem travões, só usando cheirinhos de travão de mão (já tinha conduzido sem travões há uns anos atrás e tinha resultado). 

Segui  com os piscas de socorro ligados, em velocidade baixa e em segunda mudança; quando estacionei no parque, respirei mesmo fundo.

Foi uma destas aventuras que nem vos conto o que senti, eish!

 

Se eu já gostava do meu pequeno micra, agora é paixão pura! Lindo, lindo menino!

 

Confusão

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Pensei em criar uma nova identidade.

Anónima.

Não vos vou contar os sobressaltos que vão por estas bandas, mas coisa que eu sei é que estes posts e atualizações podem acicatar animos perversos de quem seria tão mais bem vindo se não metesse aqui os pés (atenção não estarei a falar de quem me lê agora, já que de quem falo sabe quem é, ponto). 

Por isso tem sido tão difícil vir escrever sem olhar por cima do ombro. É uma espada de Damocles, e a memória trai-me e leva-me por caminhos por onde não quero ir. Coisas que sabemos que foram, que sabemos que são, mas que , até termos de encarar de frente - e virá o tempo - preferimos atravessar a estrada e deixar para essa hora. Nem é fugir; é atravessar essa ponte quando lá chegar e proteger-me antes, já que preciso, e mereço, colo, pelo menos para o poder dar também a quem comigo percorre o mesmo caminho .

Continuo a ponderar o anonimato, escrever sem freio, sem sentir olhos a espreitar. Se os sinto? E se me importo? Na verdade até não me incomoda por aí além, na verdade - e nem é o incómodo, é o peso.

Mas quando me sento aqui e abro o dashboard, passam-me à frente dos olhos coisas que preferia esquecer, e ato continuo fecho o browser e desligo o computador,

A vida é tão mais complicada de que gostariamos...

 

Faz favor, este café está queimado. Não, não quero outro vou-me já embora, obrigada.

Idade para ter juízo...

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Quem por aqui me segue sabe que perdi 33 quilos o ano passado fazendo o malogrado - e o desejado - Ozempic. Passei horrores, não conseguia comer e o pouco que entrava saía projetado. À medida que o tempo passava ia conseguindo comer, primeiro ao domingo - dava a injeção semanal nesse dia, à noite - depois ao sábado, e cheguei a conseguir comer à sexta, mais lá para o fim do tratamento. No resto da semana, quantidades ínfimas, nada de café sem uma dentada de qualquer coisa - era o que saia mais depressa - quedas de tensão, enjoos, the works. Em 9 meses perdi, como disse atrás, 33 quilos. As fotos do antes e depois, são realmente fantásticas!

E depois parei.

Guess what? O meu corpo, fartinho de estar privado de tudo, vingou-se e absorveu todos os nutrientes que me passaram pela boca. Todinhos. Acabei as injeções em meados de outubro, e pouco tempo depois chegaram os bombons do Natal... 

Em fevereiro quando fui à medica, ela disse-me, claro que recuperou peso, emagreceu porque não comia. Era expetável! 

Estamos em Julho e tenho menos quinze quilos de que quando comecei o Ozempic (anda aqui um quilo escorregadio, e os snacks que avio durante os jogos de Portugal não ajudam nada), portanto terá valido a pena. Mas foi uma violência tão grande...

A verdade é que andei uma vida inteira a tentar caber num corpo que  não era o meu. Sempre fui rechonchuda, na primeira infancia era bem redondinha - fui um bebé alimentado a Maizena, então está-se mesmo a ver... quando engravidei da minha filha pesava 45 quilos, mas sofria de anorexia...

 

Por isso, FINALMENTEaceitei o meu corpo.

E isso deu-me uma paz de espírito tremenda: ando a tentar "aprender a comer", a ver se não poluo muito o meu corpo. mas não vou fazer o dito passar tromentos só para o fazer encaixar no IMC que decretaram que ele deve ter. Claro que sou acompanhada pela médica, tenho exames para fazer, para a semana vou fazer análises, tudo e tudo.

 

E prometo: não voltarei a violentar-me.

 

Flagelo sem fim à vista

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Não se fala o suficiente saúde mental neste país.

 

Dirão que o SNS já está como está, se fossemos somar mais esse problema, o caos seria ainda mais caótico, e assim os doentes com problemas de saúde mental continuam a ser os parentes pobres (oh, é juntarem-se aos obesos...)

 

Que raio de país é este em que tenho uma emergência psiquiátrica - a depressão resvalou por aí abaixo, fez-se escorregadia qual enguia e não consegui segurar - e marco uma consulta antes que mudasse de ideias - sim que tenho tendência em situações similares dar o dito por não dito, fazer inversão de marcha, e, claro, seis meses depois ter mesmo de ir e em vez de três ou quatro consultas terem de ser dez ou doze. Dois dias depois estou na clínica. E pago €100. 

E agora volvidos 60 dias, vou pagar outro tanto, as consultas vão ser a cada dois meses, tempo de tratamento previsto, um ano - agora imaginem se adiasse...

 

Não somos muitos a poder fazer ginástica para pagar €100 para uma consulta que muitas vezes serve para nos salvar a vida. Porque quando falamos em doenças mentais, o atendimento psiquiátrico atempado pode ser a diferença entre conseguir continuar a viver ou não! Não generalizando, que há uma miríade de razões para consultar um psiquiatra, mas as mais comuns são a depressão e a ansiedade, que podem levar a ideações suicidas.

 

Quem socorre quem não tem condições financeiras? Só quem tem dinheiro, ou arranja forma de o conseguir, merece tratamento? Posso dizer que tenho uma excelente médica de família (faço parte dos poucos sortudos), que me estava a acompanhar e a medicar, mas sozinha não conseguiu o que a psiquiatra já conseguiu em dois meses. Porque não é a valência da medicina familiar. Eles bem se desdobram, mas não podem chegar a tudo.

 

E há casos e casos!

 

Isto é tudo tão triste e desesperante...

 

Despedida

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Partimos juntos, tentando não pensar em amanhã, pé no acelerador e cabeça nas nuvens, perdidos nas memórias do tempo que passámos juntos. De todos as vezes que nos unimos, dois em um, e partimos em busca de paz, de luz, de calma. A musica que tocava baixinho embalava-nos os dois num só: eras tu que começavas onde acabava a minha mão, ou o contrário? Pouco interessava. Estávamos juntos. 

E galgámos montes, e atravessámos pontes, e chegámos ao infinito oceano que sempre nos prometeu a tranquilidade que a sua força despertava em mim. A viagem habitual que sempre funcionou como um bálsamo para a minha alma. Pés na areia, fotografei, e guardei cada registo também no meu coração. Já com um cheiro a saudade, voltámos. musica mais alta cantigas a plenos pulmões, atravessar Lisboa com o Google Maps a fintar-nos os acidentes de final de tarde.

 

E chegámos. Coloquei-te naquele que sempre foi o teu lugar, o cantinho no estacionamento, e voltei a acariciar o teu volante. Menino bonito, sussurrei.

48 horas depois já não eras meu.

 

Vão ser tantas as saudades, Besnica...

 

Texto no âmbito do desafio 1 foto 1 texto da Isabel, deste blogue

E decidi em quem votar

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Não vale a pena estarmos com meias palavras: nunca foi tão difícil escolher quem assinalar no boletim de voto, como no próximo domingo. Alguns comentadores espantam-se com o número de indecisos e eu espanto-me com o seu espanto. Afinal votar, sempre mas particularmente neste momento, é passar um cheque em branco em meio a uma das maiores crises de que tenho memória, e se de um lado a coisa parece morna, da outra morna parece, e depois há cortinas de fumo, contas mal feitas, virgulas ausentes, pressupostos que talvez, e a panela a ferver, a tampa a ameaçar deixar o caldo entornar-se na placa, e os indecisos cada vez mais indecisos. A cada dia que passa somam-se mais dúvidas.

 

E eu também pensava "mas que raio faço eu? Em quem voto?" Então tomei a decisão partindo de uma premissa: existem grandes probabilidades de me arrepender de ter votado seja em quem for. Então, a ver: qual seria o arrependimento menos doloroso? Qual seria o arrependimento que não me faria esconder a cara nas mãos e pensar - como, digo já, já aconteceu - como-é-que-eu-fui-votar-neste-gajo?

 

E pronto. Há um dos dois que me faria, de facto, sentir assim se as coisas não corressem de feição. Já o outro iria fazer-me pensar, ora bolas, enganei-me. Poderia fechar a mão e morder o punho mas daí não passava.

 

E foi assim que saí do ramalhete dos indecisos.

 

E vocês? ainda estão indecisos ou já escolheram onde vão pôr a cruzinha?