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A vida é demasiado curta para cafés queimados

- tout court.

A vida é demasiado curta para cafés queimados

- tout court.

Por dentro

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Sabem o que era mesmo bom? Ter um blogue super positivo em que só falasse de coisas bonitas, felizes, assim como a vida, que gostava - e não gostávamos todos? - que fosse cor de rosa, fofinha e doce. Só que não é assim. Há dias que mais de que parecerem semanas, meses, anos, parecem vidas inteiras. Ou como que as destroem.

E depois a gente põe-se novamente em pé, sacode a poeira, levanta a cabeça e segue em frente. Porque não há volta a dar e, oh senhores, a gente merece. Se merece!...

Mudamos sempre um bocadinho(ão). E se passei seis-anos-quase-sete em terapia - que não tenho dúvidas em afirmar, provavelmente não estaria aqui agora se não fosse essa viagem - descobri agora que o que mais quero é não falar no que me dói. Porque falar faz-me desenterrar emoções, e não quero voltar a sentir o que já doeu vezes demais. 

Neste momento é um trancar de porta, deixar tudo atrás dela, e seguir. Uns dias melhores, felizes e ensolarados e outros em que fazemos o que o corpo e a mente pedem, que a mais das vezes é descanso. Porque o emocional dói no corpo, e se a gente não obedece acabamos mesmo por adoecer. E eu respeito-me demais para me submeter à violência de forçar a vontade, de avançar contra vontade, gastar as poucas energias de alguns dias em mais uma corrida na rodinha do hamster.

Hoje escrevo, estou tranquila, fui aquele lugar onde guardo a paz, e enchi as baterias, fui mimada, apanhei sol, caminhei junto ao oceano, vi as ondas rebentarem contra a costa, deixei que aquele azul me engolisse por dentro e me serenasse. 

 

Prometo-me: não vou mais olhar para trás, porque não é nessa direção que vou.

 

Estou ainda com jet lag...

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Não é que me tenha custado encaixar que estamos em 2024: ainda estavamos em dezembro já me referia a factos ocorridos em 2023 como tendo sido no ano passado, quando ainda era o mesmo.

 

Não, esta sensação de jet lag é uma sensação de ter estado sem gravidade e esta ainda não estar a funcionar a 100%. Pois, calculo que estão a pensar "a tia passou-se", e se calhar até é verdade. aqui a tia está no meio de nevoeiro mental e não há maneira da coisa assentar para eu ver mais longe!

 

Na entrada deste ano decidi não tomar decisões. Garanto que o ano passado não decidi perder 33 quilos, e eles lá foram - sim, já recuperei alguns, o stress tem-me feito comer à parva, rásparta, mas a roupa que comprei ainda me assenta da mesma forma, por isso fiz greve à balança - vai daí não há cá desejos de ano novo para ninguém. Assim previno mais algum stress e pronto. No entanto resolvi adotar uma palavra para este novo ano: consistência. E consistência em quê? Em tudo o que for decidindo fazer, o que parece um imenso contrassenso e uma palermice brutal: então sempre há decisões? Há ou não há?

 

Organizei a coisa, achei, de uma forma exequível. Em cada mês focar-me num aspeto diferente, por exemplo, em janeiro no auto cuidado, mas o auto cuidado tem de ser dividido em pequenos passos porque é imenso. Então assim, em janeiro ir ao ginásio três vezes por semana, boa? Boa, mas no final da primeira semana a contabilidade aponta para o facto de que não meti lá os pés uma vez que fosse.

 

Então esta primeira semana foi para quê? Para ser indulgente comigo, que bem precisei. De colo, de mimo, do meu, que há alturas que é do nosso colo que precisamos, é a nossa mão que faz falta sentir nas costas e escutar o murmúrio, na nossa voz, "dá tempo, vai ficar tudo bem".

 

Que vai, eu sei disso, o nevoeiro vai dissipar-se e eu vou conseguir ter um raio de visão mais alargado. De resto, faltam três dias para uma outra semana, e se o meu céu estiver limpo terei hipóteses de tentar de novo.

 

Se o tempo ainda não estiver de feição, terei mais 50 semanas. Uma de cada vez.