Por dentro
Sabem o que era mesmo bom? Ter um blogue super positivo em que só falasse de coisas bonitas, felizes, assim como a vida, que gostava - e não gostávamos todos? - que fosse cor de rosa, fofinha e doce. Só que não é assim. Há dias que mais de que parecerem semanas, meses, anos, parecem vidas inteiras. Ou como que as destroem.
E depois a gente põe-se novamente em pé, sacode a poeira, levanta a cabeça e segue em frente. Porque não há volta a dar e, oh senhores, a gente merece. Se merece!...
Mudamos sempre um bocadinho(ão). E se passei seis-anos-quase-sete em terapia - que não tenho dúvidas em afirmar, provavelmente não estaria aqui agora se não fosse essa viagem - descobri agora que o que mais quero é não falar no que me dói. Porque falar faz-me desenterrar emoções, e não quero voltar a sentir o que já doeu vezes demais.
Neste momento é um trancar de porta, deixar tudo atrás dela, e seguir. Uns dias melhores, felizes e ensolarados e outros em que fazemos o que o corpo e a mente pedem, que a mais das vezes é descanso. Porque o emocional dói no corpo, e se a gente não obedece acabamos mesmo por adoecer. E eu respeito-me demais para me submeter à violência de forçar a vontade, de avançar contra vontade, gastar as poucas energias de alguns dias em mais uma corrida na rodinha do hamster.
Hoje escrevo, estou tranquila, fui aquele lugar onde guardo a paz, e enchi as baterias, fui mimada, apanhei sol, caminhei junto ao oceano, vi as ondas rebentarem contra a costa, deixei que aquele azul me engolisse por dentro e me serenasse.
Prometo-me: não vou mais olhar para trás, porque não é nessa direção que vou.
