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A vida é demasiado curta para cafés queimados

- tout court.

A vida é demasiado curta para cafés queimados

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Flagelo sem fim à vista

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Não se fala o suficiente saúde mental neste país.

 

Dirão que o SNS já está como está, se fossemos somar mais esse problema, o caos seria ainda mais caótico, e assim os doentes com problemas de saúde mental continuam a ser os parentes pobres (oh, é juntarem-se aos obesos...)

 

Que raio de país é este em que tenho uma emergência psiquiátrica - a depressão resvalou por aí abaixo, fez-se escorregadia qual enguia e não consegui segurar - e marco uma consulta antes que mudasse de ideias - sim que tenho tendência em situações similares dar o dito por não dito, fazer inversão de marcha, e, claro, seis meses depois ter mesmo de ir e em vez de três ou quatro consultas terem de ser dez ou doze. Dois dias depois estou na clínica. E pago €100. 

E agora volvidos 60 dias, vou pagar outro tanto, as consultas vão ser a cada dois meses, tempo de tratamento previsto, um ano - agora imaginem se adiasse...

 

Não somos muitos a poder fazer ginástica para pagar €100 para uma consulta que muitas vezes serve para nos salvar a vida. Porque quando falamos em doenças mentais, o atendimento psiquiátrico atempado pode ser a diferença entre conseguir continuar a viver ou não! Não generalizando, que há uma miríade de razões para consultar um psiquiatra, mas as mais comuns são a depressão e a ansiedade, que podem levar a ideações suicidas.

 

Quem socorre quem não tem condições financeiras? Só quem tem dinheiro, ou arranja forma de o conseguir, merece tratamento? Posso dizer que tenho uma excelente médica de família (faço parte dos poucos sortudos), que me estava a acompanhar e a medicar, mas sozinha não conseguiu o que a psiquiatra já conseguiu em dois meses. Porque não é a valência da medicina familiar. Eles bem se desdobram, mas não podem chegar a tudo.

 

E há casos e casos!

 

Isto é tudo tão triste e desesperante...

 

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