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A vida é demasiado curta para cafés queimados

- tout court.

A vida é demasiado curta para cafés queimados

- tout court.

Idade para ter juízo...

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Quem por aqui me segue sabe que perdi 33 quilos o ano passado fazendo o malogrado - e o desejado - Ozempic. Passei horrores, não conseguia comer e o pouco que entrava saía projetado. À medida que o tempo passava ia conseguindo comer, primeiro ao domingo - dava a injeção semanal nesse dia, à noite - depois ao sábado, e cheguei a conseguir comer à sexta, mais lá para o fim do tratamento. No resto da semana, quantidades ínfimas, nada de café sem uma dentada de qualquer coisa - era o que saia mais depressa - quedas de tensão, enjoos, the works. Em 9 meses perdi, como disse atrás, 33 quilos. As fotos do antes e depois, são realmente fantásticas!

E depois parei.

Guess what? O meu corpo, fartinho de estar privado de tudo, vingou-se e absorveu todos os nutrientes que me passaram pela boca. Todinhos. Acabei as injeções em meados de outubro, e pouco tempo depois chegaram os bombons do Natal... 

Em fevereiro quando fui à medica, ela disse-me, claro que recuperou peso, emagreceu porque não comia. Era expetável! 

Estamos em Julho e tenho menos quinze quilos de que quando comecei o Ozempic (anda aqui um quilo escorregadio, e os snacks que avio durante os jogos de Portugal não ajudam nada), portanto terá valido a pena. Mas foi uma violência tão grande...

A verdade é que andei uma vida inteira a tentar caber num corpo que  não era o meu. Sempre fui rechonchuda, na primeira infancia era bem redondinha - fui um bebé alimentado a Maizena, então está-se mesmo a ver... quando engravidei da minha filha pesava 45 quilos, mas sofria de anorexia...

 

Por isso, FINALMENTEaceitei o meu corpo.

E isso deu-me uma paz de espírito tremenda: ando a tentar "aprender a comer", a ver se não poluo muito o meu corpo. mas não vou fazer o dito passar tromentos só para o fazer encaixar no IMC que decretaram que ele deve ter. Claro que sou acompanhada pela médica, tenho exames para fazer, para a semana vou fazer análises, tudo e tudo.

 

E prometo: não voltarei a violentar-me.

 

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